março 07, 2016

Moments: Capítulo 23


So, come on, let it go. Just let it be...

DIAS DEPOIS...

Zayn Malik

Sendo sincero, eu não tinha ideia do que eu estava fazendo ali. Por algum motivo que eu nunca consegui decifrar qual, eu estava sentado no meio de uma boate com um dos caras que costumava ser a melhor companhia para uma noitada (sem ser uma figura feminina), e não estava me sentindo muito a vontade. Desde que pisei meus pés aqui, eu observava tudo calado e com uma garrafa de água mineral na mão, no lugar de uma bebida que eu provavelmente pagaria mais do que deveria. 

Eu percebi que Anthony me olhava de forma estranha, talvez pensando o que havia de errado comigo naquela noite, mas eu não podia negar que pensava o mesmo. Quer dizer, não me leve a mal, eu sempre gostei de uma boa festa e nunca me importei com a ressaca que eu teria na manhã anterior, mas naquela noite, em especial, eu não estava muito confortável no meu "habitat natural"

Há alguns anos atrás eu provavelmente já estaria indo embora com uma groupie peituda e interesseira para mais uma noite onde eu faria coisas que não me lembraria de manhã. 

Na verdade, acho que é esse mesmo o meu problema. A presença de uma mulher completamente diferente do que eu descrevi segundos atrás me fez perceber o quanto isso é uma perda de tempo. Parece que Dora Devine conseguiu me mostrar o seu lado das coisas. E surpreendentemente, acho que essa visão combina muito mais comigo.

— Eu preciso dizer o que estou pensando? - ouvi a voz de Anthony do meu lado, me tirando dos meus pensamentos.
— Não, porque eu estou pensando o mesmo. - respondi tomando um gole de água, olhando para as pessoas dançando alguma música eletrônica.
Mate, não me leve a mal, mas você está muito estranho desde a última vez que nos vimos. Parece até que está apaixonado...

Poderia ser cômico se não fosse tão verdade. O meu silêncio serviu de resposta para a indireta do meu amigo. Ele arregalou os olhos e abriu um sorriso sacana, o que me fez balançar a cabeça negativamente e começar a rir.

— Isso é mesmo sério? - ele questionou e eu continuei em silêncio - Cara, eu zoaria você se eu não tivesse tão... Quer dizer, você ficou muito mal depois do...
— Eu sei, eu sei. - respondi o encarando - Ela têm me deixando meio louco, cara.
— E quando você diz ela você se refere á...
— Você não a conhece. - respondi prontamente, vendo-o assentir.
— Acho que você precisa de uma boa companhia pra colocar sua cabeça no lugar.
— Não estou muito a fim hoje, dude.
— E o que você pretende? Passar a noite toda aí sentado com essa cara de bosta?
— É, não me parece uma má ideia.

Percebi que ele ficou meio irritado, mas nenhum de nós abriu mais a boca, e logo eu fui deixado sozinho novamente, ouvindo meus pensamentos começando a surgir. Meus olhos corriam ao redor e a minha sensação de desconforto ainda era muito presente. Qual é? Era a primeira vez desde a minha existência que eu simplesmente não tinha vontade alguma de conversar com alguma garota ou apenas beber até cair. O sentimento era estranho, mas até revelador.

Eu sempre ficava bravo com a minha mãe quando ela me dizia que eu era um cara sensível. Dá pra entender, esse tipo de afirmação é quase uma blasfêmia contra a masculinidade de qualquer homem, mas eu estava começando a entender e concordar um pouco com ela. Eu sempre quis provar o contrário pra todo mundo, fazendo exatamente o que Anthony estava fazendo agora: bebendo como um louco, rodeado de mulheres e dinheiro, que particularmente, eu não sabia de onde saía.

Mas depois de ter terminado o meu noivado com a Perrie e ter percebido que eu tinha ficado realmente machucado com tudo isso, eu lembrei da minha mãe e de suas palavras. Sim, eu era um cara sensível. Mas um cara que não tinha ideia de como lidar com tudo isso. E acho que a pior parte era ter que admitir que, depois de tanto tempo, eu estava voltando a me sentir do mesmo jeito que me senti quando conheci a Perrie.

Só que dessa vez, havia algo muito diferente nisso tudo. 

Com a Perrie, foi fácil decifrar. Até porque eu meio que fui forçado a gostar dela, apesar de ter gostado mesmo assim (até a pedi em casamento!). Eu a amava, e isso eu já sabia desde o começo da nossa relação. Era um amor intenso, daqueles que até doem quando você sente falta. Mas agora, neste exato momento, analisando tudo o que vivi nos últimos dias, eu não tinha essa certeza.

Dora Devine. Era o tipo de garota com quem eu sempre tive medo de me relacionar. Muito inteligente e esperta, atenta e ótima ouvinte, porém com um gênio difícil de lidar. Muito difícil por sinal. Tanto que o primeiro sentimento que consegui decifrar quando a conheci foi o ódio. Eu realmente a odiava, e quanto mais longe dela eu pudesse ficar, era melhor. Mas isso começou a mudar drasticamente. Agora, tudo o que eu queria era estar perto dela.

Aquele dia, no London Eye, não havia sido muito planejado. Mas se fosse não daria tão certo. Eu conheci uma Dora completamente diferente da Dora prepotente e grossa com quem eu tinha que lidar todos os dias. Ela se doou por completo, e isso acabou causando o mesmo desejo em mim. E pela primeira vez, eu realmente não queria que aquele dia acabasse, a presença dela ali, pra mim, não era melhor que nada nesse mundo. Foi quando eu tive acesso a um sentimento diferente do ódio. Mas eu não sabia o que era.

— Oi, gato!

A voz ao meu lado chamou a minha atenção, e quando voltei meus olhos para a moça que estava ao meu lado, quase engasguei com a visão que eu tive. Estava claro que havia silicone em cada parte daquele corpo, mas não dava pra não notar o que estava por detrás daquele vestido que poderia facilmente ser confundido com um pedaço de pano qualquer, de tão pequeno que era. E eu me perguntava como ela conseguia respirar com todo aquele... Negócio debaixo de seu pescoço.

— Ahm... Olá! - abri um sorriso totalmente forçado, tentando ser gentil. Pareceu convencer, pois ela sorriu e se aproximou.
— Você não é Zayn do One Direction? - ela alargou seu sorriso, e naquele momento eu sabia exatamente o que ela queria.
— Sim, sim. Sou eu. - dei um gole naquela água quente que eu segurava desde que cheguei, quase cuspindo tudo pra fora.
— Eu sou muito fã da sua banda! - ela disse animada, me fazendo abrir outro sorriso - Você poderia... Tirar uma foto comigo?
— Claro.

Feliz como criança no colo de Papai Noel, ela pegou seu celular e se aproximou ainda mais de mim, fazendo um biquinho estilo Kylie Jenner bem perto da minha boca. Apenas abri um sorriso sem mostrar os dentes e logo vi nossos rostos sendo capturados pelo flash. Sorridente, ela guardou o celular, e como se fosse possível, se aproximou mais.

— Então... Você está acompanhado essa noite?
— Não. Quer dizer, eu vim com um amigo, mas ele está perdido por aí. - falei sentindo o perfume dela invadir minhas narinas. 
— Ah, tadinho! - ela disse como se estivesse falando com um bebê, o que quase me fez rir - Já que está sozinho, quer que eu fique aqui com você?
— Não, tudo bem. Estou bem sozinho.
— Ah, que isso, que tipo de pessoa dispensa uma gostosa dessas? - vi Anthony aparecer atrás dela e logo entendi o que estava acontecendo. 

Rapidamente me levantei, deixando o copo em cima do balcão, sentindo a raiva começar a aparecer. Era óbvio que Anthony havia mandado aquela garota aqui, não sei como não percebi isso. Antes que eu pudesse dar um passo na direção de qualquer lugar longe daqui, senti a mão de Anthony no meu braço, me impedido.

— Ah, qual é, Malik? Eu só queria ajudar você a se animar um pouco, dude. Você estava aí, todo triste e pensativo. Qual é? Nós não viemos aqui pra isso!
— Sendo sincero, Anth, eu não sei nem porque eu vim pra cá. Acho melhor eu ir pra casa.
— Fala sério! Você nunca rejeitou festa nenhuma!
— Eu só não estou a fim, cara, não força a barra. - falei soltando meu braço de sua mão.
— Para com isso, cara. Vamos aproveitar a noite! Olha o tanto de garotas que tem por aqui, a gente pode se dar bem! - respirei fundo, tentando manter a calma.
— Curte aí sozinho, eu tô vazando. - senti sua mão em meu braço novamente, o que fez meu sangue subir. Me livrei de sua mão novamente, agora sem nenhum pouco de delicadeza ou gentileza.
— Qual é, cara! Eu tô tentando te ajudar!
— Não tô precisando da sua ajuda, cara. - respondi irônico, vendo que algumas pessoas já se aproximavam para ver o que estava acontecendo - Agora me deixa em paz e vai curtir a sua festa com quem quiser.
— Sabe de uma coisa? Depois que você entrou nessa banda de merda, você tem agido como uma bichinha.
Yeah, yeah. Fuck it. 

Tentando me acalmar, saí desviando das pessoas no meio da multidão, tentando encontrar a saída daquele lugar. Mas no meio de tantos corpos que se esbarravam em mim, encontrei um que eu reconheceria de longe. Só havia uma pessoa que viria para uma festa vestida daquela forma.

Dora Devine

— A senhorita pode pelo menos me dizer pra onde está me levando? 

Giovanna apenas me alargou um sorriso e voltou a olhar para a cidade através do vidro do táxi, sem me dar resposta alguma. Eu nem preciso dizer que aquilo me deixou bastante irritada, certo? Quer dizer, eu adoro surpresas (de vez em quando), mas aquilo estava me ocorrendo com frequência e eu já estava ficando cansada de todo aquele negócio de suspense. Parecia que eu estava vivendo num loop infinito de surpresas.

Depois de ficar algumas horas trancada no meu quarto fazendo alguns trabalhos da faculdade e fofocando sobre a vida alheia com Emma, ouvi umas batidas na minha porta e vi uma Giovanna agitada e arrumada demais para o meu gosto. Quero fazer alguma coisa hoje á noite, ela disse, e eu não tive muito como recusar. 

Agora aqui estou eu, tentando decifrar cada caminho que esse taxista está fazendo, e sentindo meu corpo ser corroído pela curiosidade e ansiedade já costumeiras. Quando o carro finalmente estacionou, eu olhei para a construção bem do meu lado e li o letreiro grande e brilhante dizer que estávamos diante de uma das boates mais famosas e visitadas da cidade de Londres. A imponente Maddox. E eu estava parecendo uma mendiga prestes a pedir esmolas. Encarei Giovanna.

— Você poderia ter me avisado que estávamos vindo a uma boate cheia de gente famosa, né, assim eu poderia ter colocado uma roupa, sei lá, menos pano-de-chão?! - questionei irônica para a minha amiga, que revirou os olhos.
— Dora, desde quando você se importa com isso? - foi a vez dela questionar, cruzando os braços - O que você estava planejando usar? Um salto 15 centímetros e um tubinho preto? Isso não tem nada a ver com você. Isso - apontou para minhas roupas - tem! Agora desce do carro, vamos beber e dançar!

Eu não tinha muitas opções, então desci do carro com os olhos quase caindo de tanto os revirar e segui até a entrada da boate ao lado da minha melhor amiga maluca. Achei o preço da entrada meio caro, mas como eu não sabia voltar pra casa e também não queria chatear Giovanna, paguei assim mesmo e logo pude ver as luzes de dentro da boate e um monte de gente dançando de se acabar ali. 

Não preciso mencionar o quão desconfortável eu estava, né? Quer dizer, todo mundo ali claramente tinha condições de comprar a Chanel sem nem pestanejar, e se vestiam como se estivessem prontos para um red carpet de uma premiação muito importante. Bom, Gio estava certa, o que eu estava vestindo era bem minha cara, mas não estava tão bom assim parecer tão diferente de todos. Mas eu com certeza me daria bem numa balada hip-hop.

Giovanna me arrastou até onde estavam as bebidas e eu pedi qualquer coisa que não tivesse mais que 1% de álcool. Eu não estava muito a fim de dançar e, ao perceber isso, minha amiga sentou-se ao meu lado enquanto balançava o esqueleto ao som da música que tocava, olhando vez ou outra para a multidão que fazia o mesmo não muito longe de nós. Além de uma excitação clara por estar se divertindo em Londres, havia mais alguma coisa no sorriso de Gio que eu não conseguia decifrar. 

— Tem algo pra me contar, não tem? - eu mal acabei a frase e já vi um sorriso enorme aparecer no rosto da minha amiga, que deixou bem claro que meu irmão estava no meio.
— Você me conhece mesmo, né? - eu ri junto com ela, mesmo vendo que seu sorriso tinha um pingo de hesitação. - Certo, não acho que aqui seja um bom lugar pra contar, mas eu não consigo mais segurar.
— E nem vai. Você vai acabar me matando de curiosidade e você com certeza não vai querer passar alguns anos na cadeia! - ela assentiu rapidamente, rindo, e respirando fundo.
— Tudo bem, vamos lá. - se ajeitou na cadeira ao meu lado, respirando fundo mais uma vez e tentando reprimir um sorriso. - Lembra que essa semana seu irmão teve a ideia de me levar pra conhecer a cidade? - eu assenti, alargando o sorriso - Bom, nós visitamos vários pontos turísticos, mas como estávamos morrendo de fome, fizemos uma pausa num restaurante super fofo. Entendi que algo estava errado quando no lugar da minha pizza, recebi uma rosa vermelha e um guardanapo.
— Um guardanapo? Como assim, eles estavam pensando que você iria comer a rosa ou algo do tipo? Gente, existe doido pra tudo nesse mundo...
— Claro que não, Dora! - ela começou a gargalhar - Me deixar terminar de contar!
— Tá, tá! Vai, continua.
— Bom, não era um guardanapo qualquer. Quando eu o abri, já que estava dobrado, li uma frase que quase me deu um ataque cardíaco. Estava escrito "Will you be my girlfriend?", e no mesmo instante em que eu lia, começou a tocar a música da Alanis Morissette.
— Ou seja...
— Oficialmente, eu sou sua cunhada!

Eu engasguei com minha bebida e comecei uma crise de tosse, repassando aquela frase na minha cabeça um milhão de vezes. Não dava pra creditar que, finalmente, meu irmão deixou de ser cego e abriu os olhos para a realidade mais óbvia com a qual ele poderia se deparar. Giovanna, agora, além de minha melhor amiga de todos os tempos, se tornou a cunhada que eu pedia a Deus. Valeu aí, Universo!

Sem pensar muito, eu pulei em cima de Giovanna dando e recebendo um abraço apertado no meio de um monte de palavras que ambas falavam, mas não ouviam. Comecei a pular e logo essas palavras se tornaram risadas e, logo depois, uma dança bem esquisita a caminho da pista, onde as pessoas não dançavam muito melhor que nós.

— Dora Devine me arrastando para a pista de dança? Em que mundo paralelo estou vivendo no momento? - ela gritava sob' a música, balançando os quadris.
— Num mundo paralelo onde minha melhor amiga se tornou minha cunhada!

Sabe aquele desconforto que eu estava sentindo quando cheguei aqui? Bom, ele não existia mais e eu o impedia de voltar. Acho que eu nunca tinha dançado tanto na minha vida como estava dançando naquele momento, e o melhor: sem me importar com quem estivesse me vendo. Tanto que eu esbarrava o tempo todo em alguém, e como estava muito ocupada tentado cantar aquela maldita música que quase não tinha letra (por isso eu não gosto de músicas eletrônicas), nem me preocupava muito em pedir desculpas, e a pessoa também não parecia se importar muito com isso.

Mas vi que eu deveria um milhão de desculpas por ter caído por cima de um pobre coitado tão magro que provavelmente tinha quebrado as costelas, ainda mais por eu estar por cima dele com aquela típica cara do meme "que que tá conte seno?". Sem perceber, acabei pisando forte no pé do cara, e por estar com o pé preso debaixo do meu, ao tentar se esquivar do meu corpo caindo, ele acabou caindo junto e no pior lugar que eu alguém poderia decidir cair (não que ele tivesse muitas opções): debaixo de mim. Pesada.

— Meu Deus, perdão, perdão! - eu estava quase cantando a música do Justin ali, de tanto constrangimento que eu estava. Quem sabem, fazer até a coreografia.
— Não, tudo bem. Isso acontece. 

Me levantei rapidamente, enquanto minha mente processava aquela voz e aquele sotaque que me parecia tão familiar. Quando vi aquele rapaz se levantar e colocar seus olhos em mim, meu coração começou a pular rápido demais pro meu gosto dentro do meu peito, e na minha mente várias imagens começaram a aparecer, fazendo minhas bochechas entenderem o sinal e começarem a ficar vermelhas.

Ali, bem na minha frente, coincidentemente, estava o cara que decidiu invadir meus sonhos nos últimos dias. Zayn Malik. Da mesma forma que eu, ele estava parado na minha frente, olhando pra mim como se soubesse exatamente o que eu estava pensando. E percebi que ele também parecia envergonhado com a situação.

Bom, a verdade é que depois daquele dia (que eu não esqueceria nem em um milhão de anos) no London Eye, nós não nos falamos mais. Não por infantilidade ou algo do tipo, mas por falta de tempo mesmo. Ele tinha poucas semanas antes de começar a turnê que duraria nove meses, e eu, como sempre, estava fazendo trabalhos e estudando o tempo todo, já que era fim de semestre e eu precisava estar pronta para as provas.

Mas ali, naquele momento, tudo veio a tona como se tivesse acabado de acontecer. Eu não sabia nem o que fazer. Olhei para o meu lado, para talvez pedir ajuda para a minha amiga através do olhar, mas percebi que ela não estava mais ali, o que já era de se esperar. Falei dele a semana toda pra ela, e com certeza ela quis deixar esse momento ser só nosso. Nunca odiei tanto minha amiga.

— Você se machucou? - ele perguntou depois de um longo período de silêncio.
— Não, eu estou bem. E acho que eu deveria ter perguntado isso pra você, afinal, não fui eu que recebi um peso enorme nas costelas. - ele riu, me fazendo sorrir.
— Você deveria parar de ser tão cruel consigo mesma, Dora.
— Posso saber porque?
— Porque você é linda.

Aquele babaca sabia mesmo como me tirar os eixos. Os olhos dele me passavam uma verdade tão grande, que eu me sentia ainda mais envergonhada. Pela primeira vez na vida, Malik conseguiu me fazer sentir assim de um modo um tanto avassalador. Eu não sabia o que fazer ali, então como num ato automático, eu sorri e manti o silêncio entranho que já estava entre nós. E ele resolveu quebra-lo.

— Eu estava indo embora, mas eu vi você aqui e resolvi...
— Se aproximar sorrateiramente e me fazer esbarrar em você. Bom, deu certo! - eu revirei os olhos teatralmente, arrancando dele outra risada.
— Essa não era muito bem a minha intenção, mas no fim e tudo, eu consegui falar contigo.
— E o que você queria falar comigo?
— Acho que eu não queria falar isso aqui, não acho um lugar apropriado.
— Então pra onde vamos?
— Eu tenho um plano.
— É claro que tem.

Ele abriu um sorriso largo e me puxou pela multidão para um lugar que eu, adivinha, não sabia onde era. Acho que o destino quer que eu me acostume com essa situação.

*** ***
A vista ali de cima era de tirar o fôlego, e a cidade ficava ainda mais bonita durante a noite. Todas as luzes estavam acesas, carros passando para todos os lados e pessoas também seguiam seus caminhos pela calçada, indo e vindo. Eu não sabia como Zayn conhecia aquele lugar, mas com certeza, era o mais bonito que eu já tinha visitado aqui em Londres.

Ele estava do meu lado, apoiado no muro do terraço olhando para os mesmos lugares que eu, parecendo também fascinado com o que os seus viam. Realmente, era uma visão incrível e inesquecível. Das ruas, seus olhos foram parar em mim, que sorri e voltei a olhar para fora, tentando manter meu cérebro calmo e meus pensamentos menos agitados.

— Como você conhece esse lugar? - eu questionei ainda sem encará-lo, ouvindo sua respiração perto de mim.
— Meu amigo é dono dessa boate e eu tenho uma cópia da chave. Aqui em cima, na verdade, é o meu lugar preferido na cidade. É onde eu estou quando eu sumo.
— Com certeza se tornou o meu lugar preferido também. A vista daqui é linda!
— Sim, eu nunca me canso desse lugar.

Outro silêncio entrou em nosso meio, o que me fez lembrar o real motivo de estarmos aqui. Provavelmente, por ser seu lugar de escape, ele achou que seria mais apropriado para falar o que ele tinha pra falar. E ao pensar nisso, senti meu coração bater mais forte de ansiedade e de uma certa expectativa. Expectativa do que, eu realmente não sei, mas não dava pra ignorar sua existência junto aos meus batimentos cardíacos.

— Então, pode me falar agora o que queria comigo? - falei, vendo seu corpo se contrair um pouco ao virar-se pra mim. Ele respirou fundo.
— Certo, acho que não tem mais como fugir disso. - eu juntei as sobrancelhas, vendo seus olhos encontrarem os meus e me encararem profundamente.
— Fugir de que? - perguntei curiosa. Ele se aproximou de mim.
— Dora, a realidade é que eu gosto de você. Eu me rendo. Eu gosto de você, gosto como nunca gostei de alguém antes. É cansativo demais carregar esse fardo comigo, porque as pessoas tem esse defeito de gostar e nunca dizer a verdade. Mas eu estou aqui, sendo sincero do jeito mais constrangedor possível. Eu estou apaixonado por você, é isso, falei.

Naquele momento, o mundo parece ter parado de girar em sua órbita (ou em órbita do sol, sei lá, nunca fui boa nisso). Eu encarava o marrom dos olhos dele sem saber o que dizer, sentir ou fazer. Minha cabeça se tornou um turbilhão de coisas que eu não conseguia distinguir, e meu corpo todo pareceu ter entrado em acordo pra começar a tremer e piorar ainda mais a minha situação.

O vento começou a bater contra o meu corpo, o que pareceu me acordar. Zayn ainda me encarava claramente envergonhado e com a mesma expectativa que eu estava. Então, sem dizer nada, e sem pensar direito, eu o beijei. Eu não tinha palavras, e provavelmente me embolaria inteira se eu inventasse falar alguma coisa, então resolvi fazer uma das coisas que o mundo inteiro conhece como uma demonstração de amor ou, no mínimo, afeto. Eu o beijei. Do jeito mais sincero possível. E ele pareceu entender o recado.

HELLO! I'TS ME.
Finalmente, saiu o capítulo E OS POMBINHOS FINALMENTE DEIXARAM DE FRESCURA NO RABO PRA SE AMAREM! Afe, fiquei felizona demais, cês tem nem noção. Esse capítulo está um pouco grande demais, mas como fiquei um bom tempo sem postar, achei que vocês iriam gostar e aqui está. Então, vocês comentem se gostaram, se tem alguma sugestão, se acharam algum erro (deve ter alguns porque fiquei com preguiça de revisar (mas também, olha o tamanho desse troço), então pardón), se odiaram o capítulo, se quiserem reclamar, me difamar, me amar ou qualquer outra coisa, viu? E se puder, recomenda pra zamiga, isso deixaria meu coração mais colorido. Enfim, aqui deixo meu até mais, e claro, um BIJU ♥

fevereiro 03, 2016

Moments: Capítulo 22


The eye of a city...

Dora Devine

Eu não precisava fazer muito esforço pra reconhecer aquela voz que eu tanto amava ouvir. Uma voz da qual eu senti tanta falta de ouvir pessoalmente e que agora, parecia apenas uma coisa da minha cabeça. Mas meus olhos se arregalaram e meu coração velho e cansado acelerou ao ver aquele sorriso enorme na porta e a cara de louca que sempre me fez questionar o porque de eu ainda ser amiga dela. Mas eu sabia que não havia cara de louca que me separaria da minha melhor amiga — e pelo visto, nem um oceano inteiro.

dezembro 12, 2015

Moments: Capítulo 21


A great surprise...

Dora Devine

Eu estava afundada numa completa e compulsiva melancolia. Eu olhava a luz do dia me atingir através da janela do quarto do meu irmão, e entrava numa batalha contra mim mesma tentando decidir se eu iria ou não sair da cama. Fazendo um balanceamento de prós e contras (mais prós do que contras, diga-se de passagem), acabei decidindo que eu tinha um ótimo motivo pra continuar enrolada naquelas cobertas macias que devem ter custado um rim: eu estava tão cansada mentalmente que isso acabava refletindo no meu corpo, que também nunca foi lá essas coisas. 

novembro 29, 2015

Moments: Capítulo 20


I stole a key...

Zayn Malik

Eu não tinha ideia do que se passava na minha cabeça naquele momento, a única coisa que eu queria, na verdade, era passar mais tempo com ela. Eu não menti quando eu disse que sempre foi difícil pra mim ter de lidar com ela, até porque ela nunca me deu muita chance de fazê-lo, mas depois de toda aquela conversa no parque, como se nós dois fossemos melhores amigos desde sempre, me fez desejar mais de sua companhia. Bom, ela não queria ir pra sua própria casa, então achei que ela não se importaria de vir a minha. Sem segundas intenções, devo deixar claro.

novembro 25, 2015

Zayn Malik: Change Your Ticket



Ela se levantou ainda meio tonta, sem ter uma visão clara do que estava ao seu redor, e de quebra, uma dor de cabeça dos infernos. Por um segundo, ela considerou voltar a se deitar e dormir até seu corpo cansar, mas no mesmo instante um alarme soou em sua mente, a lembrando de que o tempo não esperaria por ela. Lentamente, ela pegou seu celular no chão ao lado do vestido azul marinho que usou na noite passada, acendendo a tela e xingando mentalmente pela dor que aquele ato causou aos seus olhos.

07:03 A.M.
"Merda.", pensou.

outubro 13, 2015

Moments: Capítulo 19


Feelings under the ocean...

Dora Devine

Eu não tenho ideia de qual era a minha conexão com mato, árvores e tudo o que havia na natureza, mas eu não podia negar que me fazia um bem danado entrar em contato com ela, principalmente em momentos difíceis como esse. Na cidade não temos muita escolha, já que tudo o que vemos são prédios, prédios e mais prédios. Minha única opção eram parques como esse. Antes mesmo de pisar dentro do lugar eu já me sentia bem, como se eu estivesse em casa, porque se eu estivesse em São Paulo, com certeza estaria entrando no Ibirapuera neste momento.

outubro 06, 2015

Moments: Capítulo 18


The naked and cold truth...

Dora Devine

A mulher que conheci no pior dia de toda a minha existência estava bem ali na minha frente e eu não tinha ideia do que fazer. Quer dizer, tudo bem que nós tínhamos conversado brevemente naquele dia, mas eu simplesmente não poderia agir como se fôssemos velhas amigas se reencontrando depois de anos. Mas uma coisa eu não podia negar: aqueles meses tinham feito muito bem a ela. 
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